Todo mundo sabe que viver de bem com a vida, alegre, bem
humorado é essencial pra ser feliz. Praticar coisas boas nos torna mais
felizes. Uma dessas coisas boas é fazer os outros rirem.
Fazer os outros rirem é profissão, é bom pra gente que faz rir,
é bom para o outro que ri.
Rir é pauta e programa de TV, é programa de rádio, é
filme, é musica, é paródia, é livro é entretenimento em geral.
O se reunir com a família
pra contar uma piada, quem nunca? É pra promover o riso. Enfim, rir e fazer rir
são atitudes socialmente praticadas durante toda a vida, em buscas de momentos
bons e agradáveis. É mais fácil agradar quando se faz rir, só que com o tempo,
as pessoas passaram do “simpático, alegres e extrovertidos” para o “inconveniente,
chatos e comediantes de 5º” num salto muito rápido e até mesmo agressivo.
O famoso “você acha que é bonito ser feio?” nunca foi tão
real. As pessoas estão erroneamente achando que é legal ser inconvenientes,
piadistas, irônicas em horas momentos e situações inoportunas. De verdade, isso
não é legal. E muitas vezes, este ato nem é erroneamente realizado, pois a
pessoa sabe e tem plena consciência de que está constrangendo e sendo chato,
mas como todo palhaço tem plateia, e todos nós buscamos aprovação e agradar a
algum certo tipo de pessoa, insistimos em ser “socialmente chatos” pra fazer
outras pessoas darem risadas, mesmo que isso custe deixar outra parcela de
pessoas constrangidas.
Explicando:
- · Você chato: ironiza, satiriza, e faz piada acerca de outra pessoa;
- · Essa pessoa por sua vez: se sente constrangida e afetada;
- · Os outros 1: acham engraçado e aplaudem a sua performance como comediante;
- · Os outros 2: te acham chato, inconveniente o bobo da corte.
Só que você (o chato), no final dessa cadeia de processos,
se sente o “maioral”, mesmo que superficialmente, mesmo que você no fundo acha
isso errado. Você faz isso e superficialmente se sente feliz porque você tem
que agradar uma parcela da sociedade, e você fez isso. Fez essa parcela do seu
publico dar risada. Sem se importar com o que a outra parcela estará sentindo
ou o que elas pensam a seu respeito.
Mas e aí, é certo ou errado tudo isso?
Depende, muito! Depende da quantidade que você usa isso no
seu dia-a-dia. Tudo em excesso faz mal, e as quantidades mínimas do “humorzão”
todo mundo usa. Geralmente usamos o “humorzão” com pessoas que não gostamos, ou
com pessoas que a “nossa plateia” não gosta. E muitas vezes usamos apenas para
usar, porque uma das características do “humorzão” é mostrar um principio de
superioridade sobre o outro. Mesmo que não exista. E é nato, é humano (não sei
se bom ou mal – mais uma vez) querer se sentir melhor sobre os outros.
Se em excesso, o “humorzão” torna perseguição e bullying.
Além de deixarem as pessoas tachadas como chatas. Até mesmo pela sua inicial plateia
(embora alguns grupos de adolescente praticam o humorzão em bando durante anos,
até ativarem o cérebro).
Quando eu falo do ‘humorzão’ também não podemos confundir com
a cadeia de entretenimento, que, embora use muitas vezes desses mesmos artifícios,
sendo chatos, inoportunos, petulantes, constrangedores, um verdadeiro pânico
social. Aqui estamos falando mais do “humorzão” do mundo, aquele seu primo que
ninguém suporta, aquele cunhado chato, ou aquele amigo de algum parente seu que
ninguém gosta de receber em casa. É aquele colega de sala de aula que se acha integrante
do Pânico da Band.
A diferença de humorzão de entretenimento e humorzão do
mundo, é que o humorzão da TV e afins, quando você não quer mais você troca de
canal, muda a estação, fecha o livro, assiste outro filme. Não vai ao show
daquele humorista. E tem hora pra acabar também, não é perpétuo. Tem hora, roteiro
e local.
O humorzão do mundo é desfreado, descontinuado, com o
propósito mal definido pelo autor, e o pior de tudo, o mais agravante disso
tudo: não é remunerado.
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