- Estou com uma dor de cabeça horrível e não sei o que fazer, já tomei remédio, já fiz de tudo, mas não sei mais o que fazer. Serrá que devo ir ao médico....
- Eu sei, acho que "você deveria"....
Acho que você deveria | Faz assim | Ficaria melhor se você fizesse dessa maneira | Se tivesse feito assim teria dado certo | Toma uma atitude da seguinte forma | Da próxima vez vai lá e | Eu sei como você deve fazer | Olha, se eu fosse você (...).
Já pararam para perceber, que nós (eu e você - só que na primeira pessoa) sempre sabemos como as outras pessoas deve se portar?
Nós sempre temos uma solução para o problema do outro. Sempre sabemos como "a pessoa" deveria ter feito.
Nós sabemos todas as atitudes que devemos tomar. Só que não.
Nós não sabemos. Só sabemos quando se trata do outro, só temos convicções e certezas quando a atitude a ser tomada não é a nossa. Só temos convicções quando o que deve ser feito sugere apenas ao próximo.
Já nós mesmos nunca sabemos como proceder em nossas vidas. Vivemos errando, mas quando o outro erra nós saberíamos como ele deveria ter feito para que não erasse.
Não sei se isso já nasce com a gente ou é uma presunção que adquirimos com o tempo.
Primeiro de tudo é um desrespeito achar que sabemos o que é melhor para a vida dos outros quando nem sabemos o que é melhor para as nossas próprias vidas. Somos seres de incertezas, as certezas mesmos são poucas: pagar impostos, morrer e ter que escolher.
Deveríamos parar de pronunciar o "eu sei o que você deve/deveria fazer" e começar a pensar o que nós faríamos ou o que nós não faríamos.
Trocar o "sei" por "opinião".
O 'eu sei' passa a impressão de que você realmente sabe, e cá entre nós, não sabemos coisíssima nenhuma, só queremos pensar que sabemos.
Já a opinião é efêmero, transitória, suscetível a erro e mutável. Você não precisa ter certeza absoluta quando tem uma opinião, é uma opinião não uma convicção. Já o saber você tem que ter certeza, não tem como saber com dúvida, saber pela metade, saber e... não saber.
Quando se diz que sabe algo, ainda mais uma atitude a ser tomada nós nos colocamos em um patamar melhor que o outro, um estado de arrogância implícita. Eu sei o que é melhor para você e como deveria fazer. Declaramos ter um inteligência ET que o outro não tem acesso (as vezes na minoria 0,00001% é verdade).
Se a pessoa agir da forma que você propôs e ainda "cair com a cara no chão", onde ficará a sua grandiosa sabedoria, cadê a inteligência ET agora?
"O sábio sabe que nada sabe e não sabendo nada, nada pode saber ainda mais sobre o saber sobre a vida do outro."
Resumindo, vamos ser menos prepotente em achar que a vida dos outros são fáceis a ponto de saber o que é correto, tentar quando necessário dar a nossas opiniões e não o sinal clássico da arrogância humana.
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